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Imbricada com as comemorações do Bicentenário do Visconde de Inhaúma, esta edição da Revista Navigator apresenta como dossiê temático cinco artigos que se conectam por desenharem não apenas a trajetória biográfica deste Almirante, mas também por abordarem as circunstâncias por que passou o Império do Brasil à época da Guerra da Tríplice Aliança.

Os dois primeiros trabalhos publicados dialogam estreitamente, na medida em que estão vinculados à apresentação do panorama militar brasileiro à época da Guerra. Nesse sentido, o Almirante Armando Vidigal vincula a sua narrativa à Revolução Industrial para explicar o acúmulo técnico que permitiu o desenvolvimento da propulsão de navios, dos projetis e de suas couraças, por exemplo. Faz ainda um balanço acurado das forças navais paraguaias e brasileiras, evidenciando a importância de um programa de construção naval que modernizou a Marinha Imperial brasileira.

Em seguida, a partir de testemunhos de personagens brasileiros na Guerra, o General Aureliano Pinto de Moura disserta não apenas acerca de questões fundamentais para o ingresso de forças militares em um conflito, a exemplo da mobilização e organização das tropas, mas também apresenta práticas logísticas para a manutenção da capacidade bélica dessas mesmas forças na dinâmica da guerra, a exemplo do serviço médico.

Ao investigar as relações multifacetadas entre Caxias e Inhaúma no teatro de operações, o trabalho do Almirante Armando de Senna Bittencourt acaba por articular, de forma refinada, duas escalas distintas de compreensão historiográfica. Ao mesmo tempo em que deslinda a complexidade da macroestrutura da Guerra, não perde de vista, entretanto, as questões microanalíticas, traduzidas neste caso pela interação entre aqueles dois líderes. O texto é, pois, dessa sorte, uma espécie de interseção entre os dois primeiros artigos deste dossiê, de tendência analítica mais abrangente, e os dois últimos, mais específicos.

O Comandante Francisco Eduardo Alves de Almeida, invocando as considerações do historiador francês Jacques Le Goff acerca da escrita biográfica, desenha em seu artigo uma trajetória do Almirante Inhaúma no período em que foi Ministro da Marinha, no Gabinete de Caxias. Extrapolando a personagem, examina a Marinha Imperial no início da década de 1860. Discorre sobre importantes projetos de Inhaúma, como as modificações na estrutura administrativa da Marinha, a partir da implantação de Distritos Navais. Não descura nem mesmo das tensões políticas do Ministro com Tavares Bastos e Zacarias de Góes e Vasconcelos, personagens centrais nesse contexto.

Concluindo esta seção, o Professor Guilherme de Andrea Frota busca reconstituir as linhas biográficas do Almirante Inhaúma. Para além, apresenta publicação de indiscutível valor historiográfico: O diário do Visconde de Inhaúma, lançado no decorrer do Simpósio Comemorativo referente ao Bicentenário do Visconde de Inhaúma, que ocorreu no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em outubro de 2008.

Ainda dialogando com este dossiê, publica-se na seção Documento uma correspondência pessoal trocada entre Inhaúma e Tamandaré, em que se pode perceber a amizade existente entre essas duas figuras de importância notável no século XIX.

Além do dossiê temático, esta edição ainda publica o artigo do Capitão-tenente (T) Ricardo dos Santos Guimarães.

Amealhando história e arqueologia, o artigo se detém sobre as técnicas e métodos, bem como apresenta resultados instigantes, de uma pesquisa arqueológica realizada na enseada da Praia do Farol da Ilha do Bom Abrigo (SP), local de evidência na costa sul brasileira desde as primeiras viagens realizadas à América do Sul, no século XVI.

Na seção Comunicação, está uma Conferência do Professor Luiz Edmundo Tavares, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que trata das conjunturas pertinentes à transmigração da Família Real portuguesa, em 1808. Primeiro, o Professor apresenta o complexo quadro diplomático que modulava as decisões dos homens de Estado de Portugal, privilegiando a conformação dos interesses britânicos. Depois, analisa com maestria as transformações, sobretudo sociais e urbanísticas, do Rio de Janeiro, que desde o século XVIII se tornara uma das principais praças do Império Ultramarino português.

Finalmente, na seção Resenha, o Tenente Marcello José Gomes Loureiro, a partir do livro O último baile da Ilha Fiscal, do Comandante Cláudio Costa Braga, discute as possibilidades de se pensar algumas permanências de práticas típicas de uma sociedade de Antigo Regime para o Brasil dos oitocentos. Estabelecendo interlocução com a historiografia disponível, questiona a adequabilidade da utilização do conceito de “Sociedade de Corte” para o período em análise, bem como verifica a necessidade premente do desenvolvimento de estudos acerca da arquitetura gótica no Brasil imperial.

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