A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito
promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.

 




        

Apresentação do Dossiê

William Gaia Farias
Doutor em História, professor da Faculdade de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA)


No decorrer da segunda metade do século XIX, as questões sobre a navegação no Rio Amazonas eram pautas frequentes nas relações internacionais sul-americanas, o que em si já demonstra a relevância desta bacia hidrográfica para abordagens sob variadas diretrizes analíticas. Desse modo, este dossiê da Revista Navigator surge como uma iniciativa de comemorar o sesquicentenário da criação da Flotilha do Amazonas.

Esta foi organizada em 1868 como uma das ações do Império brasileiro voltadas a garantir o controle das áreas de fronteiras fluviais, lugar onde se travaram os maiores combates do conflito entre a Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) e o Paraguai, historicamente denominado Guerra do Paraguai. A criação de flotilhas correspondia a iniciativa de guarnecer as áreas fluviais de modo mais eficiente e melhorar a distribuição da Força Naval e aparelhá-las com embarcações compatíveis à realidade dos rios, evitando a concentração da Força Naval no Rio de Janeiro, então sede da corte imperial brasileira. Portanto, este conflito sul-americano serviu de alerta para a necessidade de controle das fronteiras brasileiras em todas as regiões de limites predominantemente fluviais com outras nações.


Investigar a atuação da Marinha do Brasil na Amazônia significa buscar a compreensão sobre as possíveis transformações e atribuições das Forças Armadas brasileiras no geral e da Marinha, em especial. Na mesma proporção de relevância, cabe destacar a Força e os significados das navegações mercantes com diversas finalidades. Pelo mar e rios, as embarcações atuavam como elos entre as capitais amazônicas e entre estas e as comunidades ribeirinhas. Os navios, além de suas tripulações, carregavam mercadorias, passageiros, armas, munições, regulamentos, tristezas, solidariedade e esperanças. Desta forma, investigar a atuação da Marinha e os meandros da história marítima e fluvial amazônica significa embarcar em longas viagens pela história sob vários aspectos da vida social, política, econômica e cultural.

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