A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.







Apresentação do Dossiê

Francisco Doratioto
Professor Associado no Departamento de História da Universidade de Brasília e Pesquisador do CNPq.


A guerra entre a Tríplice Aliança e o Paraguai foi um marco na história política e militar dos países que a travaram, quer por suas consequências nas respectivas sociedades, quer por suas características como a inédita longa duração, as condições em que ela ocorreu e as inovações tecnológicas e táticas que a caracterizaram. A Guerra do Paraguai estendeu- -se, para o Brasil, de dezembro de 1864, quando Mato Grosso foi invadido por tropas enviadas por Francisco Solano López até sua derrota e morte em 1º de março de 1870. A Tríplice Aliança foi assinada por Argentina, Brasil e Uruguai em 1º de maio de 1865, após a invasão paraguaia da Província argentina de Corrientes no mês anterior.


Entre abril de 1866, quando o Exército Imperial desembarcou no território paraguaio em Passo da Pátria, até julho de 1868, a guerra desenrolou-se em torno da Fortaleza de Humaitá. Esta encontrava-se localizada uns dez metros acima do nível do Rio Paraguai, numa curva fechada deste, e sua artilharia controlava vários quilômetros dessa via fluvial de acesso à capital paraguaia, Assunção. Do lado terrestre, ela era protegida por uma longa trincheira que estendia-se da margem do rio até a planície e, à sua volta, havia um terreno com profundas lagunas e trechos pantanosos intermediados por bosques cerrados.


A utilização do Rio Paraguai como via de acesso para alcançar Assunção era parte essencial da estratégia militar aliada. Em resposta ao desafio de fazer operações fluviais e de ultrapassar Humaitá, a Marinha Imperial desenvolveu um projeto para a construção de belonaves próprias para essa ação – os monitores – analisado por Carlos André Lopes da Silva no artigo “Aspectos do desenvolvimento dos monitores na Guerra da Tríplice Aliança”. Em “A segunda passagem de Humaitá”, Aldeir Isael Faxina Barros contextualiza as ações da Marinha Imperial contra a fortaleza e demonstra os objetivos e consequências da segunda passagem de Humaitá, em 20 de julho de 1868. Leandro José Clemente Gonçalves descreve e faz uma reflexão sobre as operações militares em “Da Batalha de Curuzu à queda de Humaitá (1866-1868)”. Eduardo Nakayama, por sua vez, fundamenta-se em documentação paraguaia para questionar a interpretação predominante na historiografia brasileira de que os oficiais brasileiros Villagrán Cabrita e Hermenegildo Portocarrero tenham participado da concepção ou construção de Humaitá. Esta, afirma Nakayama, foi iniciada em 1855 após o surgimento de divergências entre o Império do Brasil e o Paraguai.

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