A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.






É com grata satisfação que trazemos ao público o vigésimo sétimo número da Navigator com o dossiê temático “150 anos da Passagem de Humaitá: história, memória e repercussões político-militares”, organizado pelo Prof. Dr. Francisco Doratioto (UNB). A passagem da fortificação paraguaia de Humaitá pela Esquadra Imperial brasileira, em 19 de fevereiro de 1868, redundou em uma série de impactos imediatos e de longa duração no que diz respeito ao desfecho da Guerra da Tríplice Aliança. Além dos efeitos práticos, a passagem, seguida meses depois da tomada do principal bastião de Solano López pelos aliados, trouxe im-plicações simbólicas bastante relevantes na abordagem do maior conflito sul-americano da história. Desse modo, tal dossiê, constituído por oito artigos, traz em seu bojo importantes e plurais discussões a respeito da história e das representações acerca de Humaitá, de seus defensores e atacantes.


Em sequência à Seção Dossiê, temos quatro trabalhos na Seção Artigos. Abre o espaço destinado aos artigos de fluxo contínuo o Prof. Dr. Nuno Saldanha (UNIDCOM/IADE – Lisboa), com o texto intitulado “Do Tejo para o Amazonas: as chalupas de guerra de Manuel Vicente Nunes (1711-C.1775)”, onde são ana-lisados os desenhos da Chalupa de Guerra Nossa Senhora do Bom Sucesso, realizados por Joaquim José Co-dina, e que constituem um extraordinário e inédito documento histórico. Embarcação esta construída em 1775 na Ribeira do Pará, segundo o modelo do construtor naval Manuel Vicente Nunes, constituindo tais desenhos, assim, até a presente data, o único exemplar conhecido, coetâneo e documentalmente comprovado, de um exemplar da obra deste importante construtor naval. Em seguida, trazemos o texto “Homem ao mar: Edoardo De Martino e o oceano de ideias do Século XIX”, de Bárbara Tikami de Lima, no qual a autora discute a obra do famoso pintor napolitano a partir do complexo contexto de desenvolvimento da “moder-nidade-colonialidade” no qual De Martino e sua obra estariam inseridos. O terceiro artigo desta Seção vem da lavra do Prof. Me. Elton Licério Rodrigues Machado, sob o título “A forja do profissional da guerra: dois séculos de formação do oficial combatente do Exército Brasileiro”; nele Elton Machado discorre, a partir de um amplo recorte cronológico, acerca das concepções sociais, políticas, culturais e pedagógicas que nortea-ram as mudanças pelas quais passou a formação do oficial combatente do Exército Brasileiro. Por fim, nosso 27º número é encerrado pelo texto intitulado “O Rebocador Florida (1908-1917): o nascimento de um sítio arqueológico subaquático no litoral pernambucano com cara de museu”, tendo por autores a Profª Dra. Mari-lia Perazzo Valadares do Amaral, o Prof. Dr. Carlos Celestino Rios e Souza, a Profª Dra. Marinete Neves Leite e o Prof. Dtrando. Hamilton Marcelo Morais Lins Júnior. Neste artigo, apresenta-se o Rebocador a va-por Florida, cujo soçobro se deu no mar adjacente ao litoral de Pernambuco, em 28 de junho de 1917, e sua atual inserção na categoria de sítio arqueológico subaquático de naufrágio. Diante do exposto, esperamos que o leitor possa encontrar no presente número um agradável e instigante espaço para novas reflexões e descobertas.

O EDITOR