A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.

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Em outubro de 2017, a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial completará cem anos, motivada pelos ataques de Forças Navais alemãs a navios mercantes brasileiros naquele mesmo ano. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) é considerada por muitos historiadores como um dos marcos iniciais do século XX. Ultrapassando as fronteiras europeias e espraiando seus tentáculos por todo o globo, tal conflito foi o mais mortífero e destruidor que a humanidade vivenciara até então, resultando em um saldo de oito a nove milhões de mortos, além de cerca de trinta milhões de feridos. As transformações desencadeadas pela Grande Guerra não se restringiram às suas consequências letais, mas também influenciaram os rumos da humanidade nos contextos político, geopolítico, cultural, social, econômico, tecnológico e científico.


O Brasil manteve-se neutro até o ano de 1917, quando, após ter sofrido uma série de ataques a navios mercantes, declarou guerra à Alemanha. Destacou-se no esforço de guerra brasileiro: a operação de uma Divisão Naval no Teatro de Guerra; o envio de aviadores navais e militares à Europa; e a atuação de uma Missão Médica Militar na França. Entretanto, mesmo antes de 1917, o grande conflito já repercutia no Brasil nos diversos espectros sociais e no âmbito cotidiano.


A Revista Navigator traz ao público, em seu vigésimo quinto número, o dossiê “O Brasil e a Grande Guerra”, organizado pelo Professor Doutor José Miguel Arias Neto e pelo Professor Doutor e Capitão de Mar e Guerra Francisco Eduardo Alves de Almeida. Os cinco artigos presentes no Dossiê abordam temáticas que se relacionam diretamente à participação de Brasil, Inglaterra, Portugal e Alemanha na Primeira Guerra Mundial, bem como a abordagem de tal conflito nos bancos escolares décadas após seu término.

Na Seção “Artigos”, temos a análise da Guarda Nacional na região cafeicultora do Rio de Janeiro no oitocentos, pelo Prof. Dr. Marcos Guimarães Sanches, através do trabalho “Instituições Militares e a ordem da “Boa Sociedade”: a Guarda Nacional na região cafeeira fluminense”, no qual o autor busca entender tal organismo enquanto uma instituição militar. O segundo trabalho, de autoria do Prof. Me. Wagner Luiz Bueno dos Santos, intitulado “A “hipótese erradicadora” e a organização do Corpo de Marinheiros: a Marinha Imperial como laboratório”, aborda a criação do Corpo de Imperiais Marinheiros e das Companhias de Aprendizes-Marinheiros focando o processo de reformulação e organização dos quadros militares das praças na Marinha Imperial. Em seguida, no artigo “A Escola de Estado-Maior do Exército e seus primeiros anos de funcionamento (1905-1919)”, o Prof. Me. Marcus Fernandes Marcusso analisa os primeiros anos de funcionamento da Escola de Estado-Maior do Exército, procurando identificar qual o tipo de formação prevista para os oficiais-alunos do Exército nas duas primeiras décadas do século XX. O quarto artigo da Seção, de autoria do Capitão de Fragata Alexandre Rocha Violante, intitulado “Uma abordagem sobre a inevitabilidade dos conflitos no período entreguerras”, analisa a atuação da Liga das Nações no pós-Grande Guerra em sua busca pela implantação de uma nova ordem mundial. Segue-se uma abordagem desenvolvida pelo Vice-Almirante (EN) Armando de Senna Bittencourt acerca do uso diplomático das Forças Armadas no texto “O pensamento militar de Rio Branco e o emprego do Poder Militar na paz”, onde são analisadas as atuações do Barão do Rio Branco como Ministro das Relações Exteriores do Brasil entre 1902 e 1912, bem como algumas características da chamada “Guerra da Lagosta”, na década de 1960. Encerra a Seção de Artigos avulsos o trabalho “Culturas náuticas e ciências sociais no Brasil: um balanço da produção antropológica, histórica e arqueológica (Parte 1)”, onde o arqueólogo Prof. Dr. Leandro Domingues Durán faz um balanço bibliográfico da produção acadêmica desenvolvida no âmbito da Antropologia, da História e da Arqueologia, a respeito das tradições culturais náuticas no Brasil.


Na seção “Resenha”, o Prof. Armando Alexandre dos Santos apresenta a obra “O Brasil na Primeira Guerra Mundial: a longa travessia”, de autoria do Prof. Carlos Daróz, coadunando-se à temática do Dossiê.


Por fim, a Profª. Me. Jéssica de Freitas e Gonzaga da Silva nos apresenta na Seção “Documento” um Ofício redigido em Dakar (Senegal) pelo Comandante da Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG), Contra-Almirante Pedro Max Fernando de Frontin, ao Chefe do Estado-Maior da Armada informando sobre os óbitos de membros da DNOG provocados pela epidemia de gripe espanhola e a reorganização dos comandos dos navios da Divisão.
Boa leitura!

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