A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.






Apresentação do Dossiê


Eliane Moura da Silva
Professora do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas. Atualmente é Livre Docente MS-5 e coordenadora do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Estadual de Campinas.

Sergio Willian de Castro Oliveira Filho
Doutorando em História Cultural pela Universidade Estadual de Campinas. Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará. Pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.


Passepartout, acordado, contemplava, e não podia acreditar que atravessava o país dos hindus num trem do “Great peninsular railway”. Parecia-lhe inverossímil. E contudo nada mais real. A locomotiva, dirigida pelo braço de um maquinista inglês e aquecida com carvão inglês, lançava sua fumaça sobre as plantações de algodão, de café, de noz moscada, de cravo e de pimenta.

Com estas palavras Julio Verne expressaria, em 1874, a surpresa do criado francês de Phileas Fogg ao se ver atravessando a Índia em uma máquina que simbolizava, ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos advindos da Revolução Industrial e a expansão imperialista das potências europeias em diversos recantos do mundo.

Na abrupta, porém confiante, corrida contra o tempo de Fogg - que deveria retornar à Inglaterra a tempo de vencer a aposta lançada no Reform Club de fazer um tour ao redor do mundo em 80 dias - Jean Passepartout conseguiu, por alguns momentos, refletir com incredulidade sobre como a mão e a máquina inglesa se esparramavam pelo mundo passando a fazer parte do cenário colonial e exótico das matérias-primas.

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