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O projeto de Brum da Silveira, ouvidor de Macau, de envio de carpinteiros chineses para os arsenais reais do Brasil

Carlos Francisco Moura
Acadêmico Efetivo da Academia de Marinha (Lisboa), Acadêmico de Número da Academia Portuguesa da História, Sócio Correspondente Estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Sócio Correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e Sócio da Sociedade Brasileira de História da Ciência.


RESUMO
O acesso à documentação inédita do Arquivo Histórico Ultramarino (Lisboa) possibilitou-nos conhecer o trabalho pioneiro do ouvidor-geral de Macau, Miguel de Arriaga Brum da Silveira, na implementação de envio de trabalhadores chineses para o Brasil durante o período em que a Corte esteve estabelecida no Rio de Janeiro (1808-1821). E particularmente de um projeto em que muito se empenhou, de envio de carpinteiros navais chineses para o Arsenal Real do Rio de Janeiro e também para o da Bahia. Falta ainda documentar quantos efetivamente chegaram ao Brasil, e que rumos tomaram.

PALAVRAS-CHAVE: Carpinteiros navais chineses; Ouvidor Brum da Silveira; Arsenal Real da Marinha; Macau

ABSTRACT
Access to unpublished documentation of the Arquivo Histórico Ultramarino (Lisbon) enabled us to meet the pioneering work of the “Ouvidor” of Macau, Miguel de Arriaga Brum da Silveira, implementation of sending Chinese workers in Brazil, during the period in which the Court was established in Rio de Janeiro (1808-1821). And particularly in a project that has engaged in sending Chinese naval carpenters for the Royal Arsenal of Rio de Janeiro and also to Bahia. It remains to document how effectively reached Brazil, and took directions.

KEYWORDS: Technology;Chinese Naval Carpenters; “Ouvidor” Brum da Silveira; Royal Navy Arsenal; Macao

A pesquisa Chineses e Chá no Brasil no início do século XIX (Lisboa, 2012) possibilitou-nos a publicação de alguns documentos do Arquivo Histórico Ultramarino até então inéditos, sobre o projeto de envio de carpinteiros navais chineses para o Brasil, elaborado por Brum da Silveira, ouvidor-geral de Macau.

Miguel de Arriaga Brum da Silveira nasceu na Vila da Horta, Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, em 22/3/1776. Formou-se em leis pela Universidade de Coimbra, e foi nomeado em 1800 juiz do crime do Bairro da Ribeira, em Lisboa. Pouco depois foi promovido a desembargador de agravos da Casa da Suplicação do Brasil. Em 1802 foi transferido para Goa como desembargador da Relação da Índia, e a seguir, para Macau, para exercer o cargo de ouvidor-geral. Seu biógrafo Pe. Manuel Teixeira assim resume sua gestão: “Dotado de talento superior, Arriaga foi, até à sua morte, em 1824, a alma de todos os empreendimentos realizados em Macau.” (Teixeira, 1996, p. 29).

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