A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Chegamos à vigésima edição de Navigator desde a retomada da publicação da revista no primeiro semestre de 2005. À época, a empreitada viabilizada pelo então diretor do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha contou com a participação de diversos militares formados em História que buscavam incrementar a interlocução com o meio universitário e, ao mesmo tempo, estimular a produção de trabalhos sobre a História Marítima brasileira. Até aquele momento, a historiografia formal sobre a Marinha de Guerra mantinha-se restrita a alguns poucos temas revisitados com certa frequência, enquanto a miríade de atividades relacionadas ao uso do mar e das vias fluviais recebiam atenção apenas esporádica de historiadores. O relançamento de Navigator, depois de uma interrupção de vinte anos, abriu um canal regular dedicado exclusivamente a estudos sobre a maritimidade brasileira, a relação da Nação com o mar, congregando autores com pouco espaço nos periódicos acadêmicos e estimulando novas pesquisas sobre a História Marítima brasileira.

Esta é a décima primeira edição que vem na forma de dossiê, desta vez com o tema “Tecnologia Naval e História: ciência, técnica e sujeitos” e que conta com a organização da Professora Doutora Eliane Moura da Silva e do nosso editor. Completam a revista quatro artigos e a tradicional seção “Documento”, que destaca três registros fotográficos da construção dos seis Navios-Mineiros e Varredores da Classe “Carioca”, atividade que mobilizou o Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras na segunda metade da década de 1930. Seleção, descrição e análise das fotografias foram minuciosamente realizadas por Cláudia Lúcia Ferreira Vasconcellos, graduanda em História na Universidade Federal Fluminense. No artigo “A influência norte-americana na Marinha brasileira e seus reflexos ao longo do século XX”, Misael Henrique Silva do Amaral trata da atuação da Missão Naval estadunidense na Marinha do Brasil, assunto praticamente ausente da historiografia produzida sobre as Forças Armadas brasileiras, principalmente se comparado com o destaque que recebem a Missão Francesa no Exército e na Força Pública de São Paulo. A Missão Médica enviada pelo Governo de Venceslau Brás como parte do esforço militar brasileiro durante a Primeira Guerra Mundial é destacada no artigo de Carlos Edson Martins da Silva, contra-almirante médico da Marinha do Brasil. Interessa nesse minucioso estudo não somente a atuação dos profissionais de saúde brasileiros em um hospital de campanha montado em Paris nos momentos finais da Guerra, mas as circunstâncias da seleção dos médicos que compuseram aquele grupo. Graciete Guerra da Costa analisa a arquitetura militar edificada na Região Amazônica a partir do planejamento colonizador pombalino, com ênfase em cinco fortificações construídas no Vale do Amazonas. No sempre presente espaço para a Arqueologia Subaquática brasileira, temos o artigo do Professor Doutor Gilson Rambelli, atual coordenador do Laboratório de Arqueologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Federal de Sergipe, e do Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia da mesma universidade Daniel Martins Gusmão que demonstra a relevância da produção de cartas arqueológicas regionalizadas para a concepção de um Inventário Nacional do Patrimônio Cultural Subaquático.

Entraremos em 2015 revisitando a atuação da Marinha Imperial na Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, como parte das comemorações dos 150 anos da Batalha Naval do Riachuelo, o grande combate que opôs Forças Navais brasileiras e paraguaias. Assim, já convidamos os leitores para participar do dossiê que versará sobre a História Naval e Militar daquela guerra.
Uma boa leitura a todos...

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