A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





A Guerra da Lagosta

Tenente Carlos André Lopes da Silva
Graduado em História pela Universidade do Estado
do Rio de Janeiro. Possui o curso de pós-graduação
em História Militar pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro (UNI-RIO). Atualmente
exerce a função de historiador do Departamento
de História Marítima e Naval do Serviço de
Documentação da Marinha

CARDO, Francisco Carlos Pereira. O Tenentismo na Marinha. São Paulo: Paz e Terra, 2005

BRAGA, Cláudio da Costa. A Guerra da Lagosta. Rio de Janeiro: Serviço de Documentação da Marinha, 2004

 “Le Brésil n’est pas un pays serieux”. Talvez esta sentença, atribuída ao General e Presidente francês Charles de Gaulle, seja a parcela mais conhecida de uma crise que envolveu o Brasil e a França nos primeiros meses de 1963. Mesmo esta frase, lembrada e citada por muitos, raramente é relacionada a este confronto, que, embora inserido em um processo histórico muito visitado pela historiografia brasileira contemporânea, é ignorado pela maioria dos brasileiros.

Como “guerra da lagosta” ficou conhecida a crise diplomática irrompida pela captura do crustáceo de considerável valor comercial por embarcações de pesca de bandeira francesa na plataforma continental do Nordeste brasileiro – num período em que as definições precisas do direito à exploração dos recursos naturais da continental shelf pelas nações litorâneas ainda não estavam consolidadas no direito internacional. Um dos rounds da batalha diplomática travada entre o Brasil e a França sobre a exploração das reservas de lagostas do Nordeste brasileiro estava justamente na conceituação daquele crustáceo como parte constitutiva dos recursos naturais da plataforma continental – portanto posse brasileira – ou recurso vivo que dependia tanto do leito marinho como os peixes, livremente pescados por embarcações de qualquer nação desde que além dos limites das águas territoriais do Estado ribeirinho.

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