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Viva força ou guerra lenta?
As ideias econômicas e estratégicas de Luiz Álvares Barriga de 1634 e 1635 sobre a expulsão dos holandeses de Pernambuco

Benjamin Nicolaas Teensma
Pesquisador holandês; Professor Emérito da Universidade de Leiden.


RESUMO
Na década de 1630, os holandeses ampliavam seus domínios no Atlântico Sul, usurpando o comércio e os territórios portugueses. Nessa conjuntura crítica, Luiz Álvares Barriga escreveu um “atrevido arbítrio”, em que propõe à então administração filipina suas ideias econômicas e estratégicas para por fim ao avanço holandês. Este artigo analisa não apenas tais ideias, mas também as insere em seu contexto de produção.

PALAVRAS-CHAVE: administração filipina; invasões holandesas; Luiz Álvares Barriga

ABSTRACT
In the 1630s the Dutch were expanding their territories in the South Atlantic, usurping Portuguese trade and territories. In this critical situation, Luiz Álvares Barriga wrote an “impertinent ordain”, where he proposes the administration of Philip III, his strategic and economic thoughts to stop the Dutch advance. This work will analyze those ideas and will place them in the context of their production.

KEYWORDS: Philippine Administration; Dutch invasions; Luiz Álvares Barriga

O OBJETIVO DA PRESENTE EDIÇÃO

Nesse linguajar espanhol indocilmente lusitano do período da monarquia dual ibérica, o cavaleiro português Luiz Álvares Barriga escreveu em 1634 e 1635 dois patrióticos tratados sobre o melhor método econômico-militar de expulsar os holandeses do seu enclave pernambucano no Brasil. O primeiro deles se encontra na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, e o segundo na John Carter Brown Library, em Providence, nos Estados Unidos. Estes textos foram publicados em 1950 por José Honório Rodrigues no volume 69 dos Anais da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Entretanto são pouco consultados, porque o referido volume da revista em questão é difi­cilmente alcançável, o idiossincrásico “portunhol” em que foram redigidos desanima seu estudo, a qualidade filológica da edição de 1950 deixa a desejar, e a explicação histórica que os acompanha não é satisfatória. Por estas razões, julguei aconselhável preparar uma edição atualizada em tradução portuguesa, mais bem anotada e com introdução mais desenvolvida.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)