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A conquista do Maranhão e Grão-Pará na política ibérica

Helidacy Maria Muniz Corrêa
Profa. Dra. da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA.


RESUMO
Este texto trata da conquista do extremo norte como fator primordial da política ibérica no Atlântico equatorial para a manutenção da soberania portuguesa na América. Discute o papel do governador-geral do Brasil, Gaspar de Sousa, na consolidação do projeto luso de soberania do território. Por fim, problematiza a cerimônia de posse do Forte São Luís para refletir acerca dos mecanismos simbólicos na legitimação da dominação colonial.

PALAVRAS-CHAVE: Maranhão e Grão-Pará; Conquista; União Ibérica

ABSTRACT
This text refers to the conquest of the extreme north as a prime factor of Iberian politics in the equatorial Atlantic for the maintenance of Portuguese sovereignty in America. It discusses the role of Gaspar de Sousa, Governor-General of Brazil, in securing the Portuguese project of territorial sovereignty. Finally it analyzes the installation ceremony of the São Luís fort to ponder on the symbolical mechanisms in the colonial domination legitimacy.

KEYWORDS: Maranhão, Grão-Pará; Conquer; Iberian Union

A POLÍTICA DA CONQUISTA

Eu El-Rei faço saber a vós Gaspar de Souza, do meu Conselho, meu gentil-homem de boca, governador e capitão general do estado do Brazil, que para melhor se poder conseguir a conquista das terras e rios do Maranhão, que vos tenho cometido conforme as minhas instruções, a qual é de tanta importância a meu serviço, como se deixa ver.

Ao chegar ao Brasil como governador-geral, Gaspar de Sousa trouxe consigo uma vasta experiência nos mecanismos políticos da corte ibérica e nos serviços prestados à Coroa em diferentes partes do Império. Proveniente de família aristocrata da corte filipina, o governador-geral serviu na Índia em 1537, pertenceu ao Conselho de Filipe II, foi pajem e moço fidalgo de um irmão do Rei D. João III, tornou-se fidalgo escudeiro e depois fidalgo cavaleiro, chegando a cavaleiro da Ordem de Cristo.

Participou de guerras na África, na batalha de Alcácer-Quibir, na Ilha Terceira, lutando contra franceses; foi capitão de tropas portuguesas na invencível armada espanhola e participou também na formação de terços portugueses para a guerra contra a França e a Holanda. Recebeu ainda as comendas de São Salvador de Anciães, Nossa Senhora do Touro e da Ordem de Cristo, além de inúmeras mercês régias, dentre as quais uma tença da fazenda real de 80 mil réis por ano e uma comenda cuja renda ultrapassou 150 mil réis.

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