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O bloqueio da Barra de Goa por Jacob Cooper, de 9 de novembro de 1636 até 2 de maio de 1637

Benjamin Nicolaas Teensma
Pesquisador holandês; Professor Emérito da Universidade de Leiden


RESUMO
Este artigo trata do primeiro bloqueio de Goa em 1637 e dos relatórios ou representações que holandeses e portugueses produziram sobre ele. Tal ação naval foi motivada por razões econômicas, pois o governador-geral Van Diemen estava convencido de que a guerra na Europa entre a República das Províncias Unidas e a Monarquia Dual Ibérica não duraria eternamente, e que a Companhia Holandesa das Índias Orientais, depois da conclusão de um eventual tratado de paz com Portugal, não poderia continuar suas ações militares contra os portugueses na Ásia. Este artigo busca analisar os confrontos navais desencadeados por tal bloqueio através de três textos do período (do capitão batavo Jacob Cooper, do português Couto Sampaio e de um autor anônimo também português) que, apesar da semelhança temática, oferecem animadas parcialidades na interpretação ideológica. Esta documentação encontra-se disponível no Arquivo Nacional de Haia, na Holanda, e na Cleveland Public Library, Ohio, Estados Unidos.

PALAVRAS-CHAVE: Bloqueio de Goa; Companhia das Índias Oridentais; Império Marítimo Português
ABSTRACT
This article is about the first blockade of Goa in 1637 and the Dutch and Portuguese reports produced of it. This naval action was motivated by economic reasons. The Governor-General was convinced that the war in Europe between the Republic of the United Provinces and the Iberian Union wouldn’t last forever, and the Dutch East India Company, after the conclusion of a peace treaty with Portugal, couldn’t continue with the military actions against the Portuguese in Asia. This article examines the naval confrontations triggered by this blockade through three chronicles of the period (Batavian captain Jacob Cooper, the Portuguese Couto Sampaio and an anonymous Portuguese author). Despite the similarity of themes those chronicles offer strong opinions in the ideological interpretation. These documents are available in the National Archives in The Hague, Netherlands, and the Cleveland Public Library, Ohio, USA.

KEYWORDS: Blockade of Goa; East India Company; Portuguese Maritime Empire

“Declaramos que fizemos todo o humanamente possível para prejudicar o inimigo” (JC746v trad.)1

Em 1510, Portugal fundara Goa, sua capital na Ásia, numa ilha a meio caminho da Costa do Malabar. Além de Goa, o país ainda dispunha das bases Malaca, na costa do homônimo estreito marítimo, e Macau, na costa meridional da China. Em 1619, a Holanda fundara Batávia, sua capital na Ásia, na costa setentrional da Ilha de Java. Em 1636, Antônio Van Diemen lá foi nomeado governador-geral das Índias Neerlandesas, função que iria exercer durante nove anos até sua morte em abril de 1645. Naquele período, Goa foi anualmente cercada durante a monção seca, que durava de outubro até maio, por uma esquadra naval holandesa.

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