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A gênese da profissão naval


Carlos André Lopes da Silva
Capitão de Corveta (T), mestre pelo Programa de Pós-Graduação de História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em História Militar Brasileira pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, sócio efetivo do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil e membro do Laboratório de Estudos dos Militares na Política. Atua como pesquisador da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha há pouco mais de dez anos.


Resenha de ELIAS, Norbert. The Genesis of the Naval Profession. Dublin: University College Dublin Press, 2007.

Talvez hoje já soe algo repetitivo afirmar que os militares e as Forças Armadas foram deixados de lado como objetos de investigação pelas Ciências Sociais brasileiras. José Murilo de Carvalho, em meados dos anos sessenta, quando publicou a primeira versão de um texto singular sobre o envolvimento das instituições militares na construção de alternativas conservadoras para o Estado brasileiro nas primeiras décadas da República, apontava para essa lacuna que, mesmo depois de preenchida pelo crescente número de historiadores, sociólogos e antropólogos que se dedicaram a temas militares a partir da segunda metade da década de 1980, não deixou de tratar um universo tão heterogêneo como esse com alguma dose de simplificação.

E uma dessas recorrentes simplificações vem da própria compreensão generalista, adjetivo “militar” que, por vezes, especifica elementos ligados às forças de terra, mas comumente indica – e “coloca no mesmo saco” – entes da Marinha, do Exército e da Força Aérea. O que pode haver de singularidade em cada uma dessas instituições estaria justamente no cenário em que desenvolvem suas atividades – terra, mar e ar – e nos meios que empregam para executá-las, demandando treinamentos e, consequentemente, produzindo profissionais e élans distintos. E é justamente no entendimento de uma dessas especificidades que o celebrado sociólogo alemão Norbert Elias investiu quando delimitou o nascimento da “profissão naval” perseguindo a dinâmica da formação do corpo de oficiais da Marinha inglesa, entre os séculos XVI e XIX.

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