A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Apresentação do Dossiê

Francisco Carlos Teixeira da Silva
É doutor em História Social pela Universidade de Berlin/UFF e pós-doutor pela Universidade Técnica de Berlin e USP e pela Universidade Livre de Berlin. Foi professor titular de História Moderna e Contemporânea, da Universidade do Brasil/UFRJ. É professor conferencista da Escola Superior de Guerra na área de Segurança Internacional e professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército em Estratégia Internacional. Articulista do Jornal das Dez, GloboNews e consultor de várias empresas na área de relações internacionais.

Renato Jorge Paranhos Restier Junior
É primeiro-tenente do Quadro Técnico Temporário da Marinha, mestre em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, especialista em História Militar pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, pesquisador do Departamento de História da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha e sócio titular do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.


As duas guerras mundiais inauguraram tragicamente o século XX. Não apenas devido ao desenvolvimento tecnológico dos instrumentos de destruição, ou a “tecnologia da morte” segundo o historiador inglês Eric Hobsbawm, mas também pelo envolvimento de grandes massas militares e civis nesses eventos, típica guerra total clausewitziana. Mais no segundo do que no primeiro desses conflitos, os teatros de operações se alargaram sobremaneira, antigos e novos paradigmas estratégicos e táticos dialogaram constantemente com as novas máquinas de guerra, tesouros foram exauridos, populações exterminadas e um novo mundo mais adiante surgiu.

O Brasil foi pioneiro na América do Sul a participar efetivamente dessas hecatombes planetárias, enviando na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) uma força naval (Divisão Naval em Operações de Guerra) para cruzar o Atlântico e proteger uma área entre a África e a entrada da Europa. Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), sua participação foi mais intensa devido ao perigo a nossa costa representado pelos ataques dos submarinos das forças do Eixo – especialmente os alemães.
O dossiê desta edição da Navigator intitulado “O Brasil nas Grandes Guerras do Século XX” apresenta um debate que extrapola os assuntos estratégico-militares, pois aponta para questões vinculadas aos impactos na sociedade dos perigos da guerra no mar, e os debates políticos em torno da preparação das forças navais brasileiras.

Inaugura o dossiê um artigo conjunto e multidisciplinar, envolvendo pesquisadores das áreas de saúde e história. Utilizando documentos oficiais produzidos pela Divisão Naval em Operações de Guerra e por autoridades senegalesas, Wladimir Alonso, Cynthia Schuck-Paim, G. Dennis Shanks e Francisco Alves de Almeida analisam o impacto da pandemia influenza – mais conhecida como a gripe espanhola – naquela divisão, representando, ao mesmo tempo, o primeiro contato da população brasileira com essa doença.

No contexto do “entre-guerras”, Sylvio Val aborda as limitações materiais da Esquadra brasileira naquele período, enfatizando os reflexos da atuação do Brasil no primeiro conflito mundial sobre os debates político-estratégicos e as iniciativas para o reaparelhamento naval nos anos de 1930 por meio da retomada da construção nacional.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)