A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Submarinos alemães ou norte-americanos nos malafogados de Sergipe (1942-1945)?

Luiz Antônio Pinto Cruz
Doutorando em História Social do Programa de Pós-Graduação em História/FFCH-UFBA

Lina Maria Brandão de Aras
Doutora em História pela USP, professora do Programa de Pós-Graduação em História/FFCH-UFBA


RESUMO
Os submarinos estrangeiros, os navios brasileiros e o litoral sergipano são lugares da memória em que se entrelaçam às ações militares, ao drama dos náufragos e às apropriações dos aracajuanos no tempo da Segunda Guerra Mundial. Este artigo realiza uma reflexão histórica sobre as diferentes interpretações sociais construídas em torno do torpedeamento naval e como essas memórias geraram vários embates políticos no regime ditatorial de Getúlio Vargas.

PALAVRAS-CHAVE: memória, submarino, costa do Brasil

ABSTRACT
The foreign submarines, Brazilian ships, and the Sergipe’s coast are places of memory that intertwine military action, the drama of the castaways and appropriations of aracajuanos in the World War II time. This article provides a historical reflection on the different social interpretations built around naval torpedoing and how those memories have generated several political clashes in the dictatorship of Getúlio Vargas.

KEYWORDS: memory, submarine, coast of Brazil

A guerra chegou, materialmente, ao Brasil(...).
Não nos iludamos, pois o nosso “Pearl Harbor”,
aí está, com todas as suas consequências.

Correio de Aracaju. 1/9/1942


INTRODUÇÃO

As novas gerações brasileiras se acostumaram a pensar a Segunda Guerra Mundial como uma “realidade distante” de suas fronteiras, de suas vidas e de suas histórias. Graças aos filmes estrangeiros e às publicações especializadas, são bem conhecidas as batalhas travadas entre eixistas e aliados em Europa, África, Ásia e Oceania, mas desconhecem os embates sofridos pelos compatriotas no tempo da Batalha do Atlântico. Alguns estudos também contribuíram para o seu desconhecimento ao simplificar o papel do Brasil no maior conflito global, classificando-o como uma “participação simbólica”, “uma beligerância apenas nominal”, “uma sombra da guerra”, enfim, “uma guerra sem guerra”. No entanto, algumas realidades costeiras evidenciam que os brasileiros enfrentaram em vários momentos, especialmente nos anos de 1942 e 1943, os ardores da guerra submarina em seu mar territorial.

A ação militar do submarino alemão U-507 na costa de Sergipe e da Bahia é emblemática na História Contemporânea do Brasil. Sob o prisma da micro-história, a temática dos torpedeamentos foi analisada a partir de um corpus documental variado (jornais sergipanos, documentos oficiais, iconografia, acervos particulares, memorialistas, entre outros) e, por fim, cruzaram-se esses dados com as entrevistas e a revisão literária. Foi preciso sair do centro das abordagens tradicionais e vir para as áreas marginais: o litoral nordestino, as praias sergipanas, as histórias dos aracajuanos, os dramas dos náufragos.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)