A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





O fim do mundo começou no mar: os ataques do Submarino U-507 ao litoral sergipano em 1942

Dilton Cândido Santos Maynard
Doutor em História pela UFPE. Pós-Doutor em História pela UFRJ. Professor do Departamento e do Mestrado em História da Universidade Federal de Sergipe. Professor do Programa de Pós-Graduação em História Comparada/UFRJ. Líder do Grupo de Estudos do Tempo Presente. dilton@getempo.org

Raquel Anne Lima de Assis
Graduanda em História – Universidade Federal de Sergipe. Bolsista de iniciação científica Fapitec. Integrante do Grupo de Estudo do Tempo Presente. raquel@getempo.org


RESUMO
Neste trabalho analisamos como se deram os ataques do submarino alemão U-507 no litoral brasileiro, nas proximidades de Sergipe e Bahia, no mês de agosto de 1942. Entre a documentação utilizada, privilegiamos os relatórios produzidos pelas autoridades locais para o episódio dos torpedeamentos, além de jornais, livros de memórias, depoimentos em vídeos e processos-crimes. O texto evidencia a carência de interpretações sobre o assunto, colocando em destaque as poucas informações sobre os destinos dos náufragos e os saques realizados aos pertences das vítimas.

PALAVRAS-CHAVE: Segunda Guerra, Torpedeamentos, Brasil

ABSTRACT
In this article we will analyze some aspects on attacks from German submarine U-507 around the Brazilian coast, in august 1942, near Bahia and Sergipe. Among the documents used the researchers favored official reports about submarine attacks, newspapers, memoirs, testimonials and videos-documentaries. The text highlights the scarcity of interpretations about the issue and presents some information about the destinations of the castaways and looting to the victims’ belongings.

KEYWORDS: word war II, Brazil, Submarine attack

O FIM DO MUNDO

Noite de sábado, 16 de agosto de 1942, águas de Sergipe, Brasil. Pouco depois do jantar, os tripulantes e passageiros do navio mercante Baependy sentiram o impacto e o estrondo provocado pelo ataque do submarino alemão U-507. Pego de surpresa em pleno tombadilho, o Comandante João Soares da Silva perguntou ao seu Chefe de Máquinas: “Chefe, que foi isso?” Antes mesmo que Adolfo Artur Kern conseguisse responder com mais clareza, o segundo impacto e o forte cheiro de pólvora confirmavam o torpedeamento. O choque arrebentou os tanques de combustível e o fogo rapidamente se espalhou, chegando ao mastro da embarcação. Na parte destinada aos passageiros da terceira classe, as camas-beliches caíram e os soldados e civis que viajavam ali logo se viram com água pela cintura.

Atingido por estilhaços da segunda explosão, o Comandante Silva ainda conseguiu ele mesmo fazer soar o alarme. O Baependy só deixou de apitar quando foi completamente tomado pelo mar: “O marinheiro, também sobrevivente, que estava de serviço no leme, viu-o agarrar no apito para dar o sinal de alarma. Notou que o comandante estava coberto de sangue”. Em pouquíssimo tempo, o navio de fabricação alemã, que um dia fora chamado Tijuca, adernou a boreste e submergiu na escuridão da noite.

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