A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





A alta mortalidade da pandemia espanhola na Divisão Naval em Operações de Guerra em 1918

Wladimir J. Alonso
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Zoologia pela USP, doutor em Epidemiologia e Zoologia pela Universidade de Oxford no Reino Unido (UK). Pesquisador do Fogarty International Centre no National Institute of Health em Bethesda, EUA. Diretor da Origem Consultoria Científica.

Cynthia Schuck-Paim
Graduada em Biociências pela USP, mestre em Ecologia (USP), doutora em Comportamento Animal e Etologia Cognitiva pela Universidade de Oxford (UK). Possui estágio de pós-doutorado em Biologia Evolutiva e Economia Experimental pela Universidade de Oxford e em Psicologia Experimental pela USP. Diretora da Origem Consultoria Científica.


G. Dennis Shanks
Graduado em Medicina pela Southwestern Medical School, mestre em Saúde Pública pela Tulane School of Public Health. Diretor do Army Malaria Research Institute em Brisbaine, Austrália. Professor de Ciências da Saúde na Universidade de Queensland, Austrália. Pesquisador Sênior do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford (UK).

Francisco Eduardo Alves de Almeida
Graduado em Ciências Navais pela Escola Naval. Graduado em História com distinção magna cum laudae pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É mestre em História (UFRJ) e doutor em História Comparada (UFRJ). Membro Emérito do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil. Professor de Estratégia e História Naval da Escola de Guerra Naval.


RESUMO
A experiência naval com a pandemia de influenza de 1918 durante a Primeira Guerra Mundial permanece pouco explorada apesar de sua importância na difusão global do vírus e do interesse epidemiológico em populações isoladas e relativamente homogêneas. O surto pandêmico que atingiu a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG) é particularmente interessante em razão de sua severidade e do fato de que essa foi a única divisão naval latino-americana atuante na guerra. O objetivo desta pesquisa é estudar os padrões de mortalidade da pandemia na Dnog em patrulha na costa oeste africana em 1918. São investigadas as mortalidades nos navios além de postos, graduações e ocupações baseadas nas fontes oficiais e nas estatísticas de mortes gerais do Arquivo da Marinha.

PALAVRAS-CHAVE: 1918, Brasil, influenza, Marinha, Dnog, pandemia

ABSTRACT
The naval experience with the 1918 pandemic during World War I remains underexplored despite its key role on the pandemic ìs global diffusion and the epidemiological interest of isolated and relatively homogeneous populations. The pandemic outbreak in the Brazilian naval fleet is of particular interest both because of its severity and the fact that it was the only Latin American military force deployed to war. The objective is to study the mortality patterns of the pandemic in the brazilian fleet sent to patrol the West African coast in 1918. We investigated mortality across vessels, ranks, and occupations based on official population and mortality records from the Brazilian Navy Archives.

KEYWORDS: 1918, Brazil, influenza, navy, pandemic

PRÓLOGO

O presente artigo foi publicado originalmente no Journal of Influenza and Other Respiratory Viruses, dos Estados Unidos da América em fevereiro de 2012. Os direitos de publicação foram cedidos especificamente à Revista Navigator em maio de 2013, pela John Wiley & Sons/Blackwell, editora da revista norte-americana detentora dos direitos.

INTRODUÇÃO

A Grande Guerra de 1914-1918 teve a segunda maior taxa de mortalidade de qualquer guerra em números absolutos (depois da Segunda Guerra Mundial), provocando aproximadamente 9,2 milhões de mortes em combate em todas as frentes. Ainda que ofuscada pela guerra, a pandemia de influenza que varreu o globo entre 1918 e 1919 provocou mais mortes nos últimos meses da guerra que o total de mortes em conflitos durante o período abarcado por toda a guerra. As estimativas de mortalidade baseadas nos dados registrados apontaram para aproximadamente 20 a 50 milhões de mortes em todo o mundo causadas pela pandemia em um tempo em que a população mundial era estimada em 1,8 bilhão de pessoas (um quarto do que existe hoje), fazendo com que a pandemia de 1918 seja considerada uma das crises mais devastadoras em saúde pública em tempos recentes.

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