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A furore Normannorum libera nos, Domine: a invasão dos vikings à Inglaterra de Alfred, o Grande (século IX)

Isabela Dias de Albuquerque
É mestre em História Comparada pela UFRJ e graduada e licenciada em História pela UFF. Atualmente, é tutora no consórcio Cecierj/Cederj no curso de Formação Continuada em História

 

RESUMO
Este artigo procura identificar como ocorreu a presença dos vikings na Inglaterra, a partir do século IX. Para tanto, analisaremos quais as motivações dos escandinavos em se lançarem aos mares e à conquista de novas terras dentro da Europa cristã. A fim de que possamos traçar melhor como se deu a convivência entre os habitantes anglo-saxões da ilha e os recém-chegados, analisaremos a Danelaw enquanto um espaço de interação.

PALAVRAS-CHAVE: migrações escandinavas, Inglaterra medieval, vikings
ABSTRACT
This article intends to identify how the presence of the vikings in England occurred from the 9th century. Therefore we will analyze which were the motivations of scandinavians in launching into the seas and to the conquest of new lands inside christian Europe. In order to trace how companionship developed between Anglo-saxon inhabitants of the island and the new comers, we will analyze Danelaw as a space of interaction.

KEYWORDS: scandinavian migrations, medieval England, vikings

O CONTEXTO DAS MIGRAÇÕES ESCANDINAVAS (SÉCULO VIII/IX)

Os povos de origem escandinava, comumente chamados de vikings, entre os séculos VIII-X, migraram para diversas regiões da Europa cristã, espalhando medo e causando terror por onde passavam. Suas incursões foram mais numerosas no Norte da França e na Inglaterra, e em ambos territórios eles também conseguiram se fixar.
Documentações cristãs como, por exemplo, os Annales Bertiniani (Anais de São Bertin), escritos no século IX, e os Annales Vedastini (Anais de São Vaast), do século X, expressam com detalhes o horror que esses povos causavam em suas raids. Os vikings eram conhecidos ainda por não pouparem de saques nem mesmo abadias e igrejas, porque não eram cristãos, e isso corroborava para espalhar ainda mais sua fama de guerreiros cruéis.
A partir do século VIII, a Europa viveu sua última grande leva de migrações, desde os tempos em que Roma ainda se organizava como Império. Povos de origem germânica, oriundos do Norte da Europa – mais especificamente da Escandinávia – deslocaram-se motivados por fatores distintos. Apesar de denominá-los vikings, os povos da Escandinávia eram identificados por diferentes vocábulos, de acordo com a região: nas fontes de origem latina, os francos utilizavam normann – homens do norte – ou daneses, enquanto os ingleses preferiam daneses ou pagãos.

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