A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





A tipologia da Fragata Portuguesa no século XVII: Interrogações e propostas

Tiago Miguel d’Oliveira Xavier Conde Fraga
Assistente de Investigação do Centro de História de Além-Mar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH), Universidade Nova de Lisboa e da Universidade dos Açores. Investigador do Centro de Investigação em Ciências Históricas (Universidade Autónoma de Lisboa)

 

RESUMO
A presença internacional portuguesa no século XVII encontra-se a ser desafiada em todos os seus palcos. A jazida arqueológica da Fragata Santo António de Tanná, construída na Índia e naufragada no Quénia em 1697, poderá representar uma morfologia construtiva em resposta aos desafios técnicos e militares dessa conjuntura negativa. O seu estudo revelou diversas particularidades que indicam uma resposta tecnológica à alteração do cenário político-militar na região do Índico. O estudo desta jazida levanta questões sobre o caminho percorrido pela fragata portuguesa e principalmente demonstra a capacidade inovadora portuguesa que poderá ter sido um factor para a continuidade da presença portuguesa na Índia.

PALAVRAS-CHAVE: Construção Naval, Fragata, Arqueologia Náutica
ABSTRACT
In the 17th century Portuguese international presence is challenged in all its theaters of operation. The archaeological site of the Santo António de Tanná, a frigate built in India and sank in Kenya in 1697, may represent a morphological constructive response to military and technical challenges of this negative context. This study revealed several peculiarities that indicate a technological answer to the changing political-military scenario in the region of the Indian Ocean. The study of this deposit raises questions about the path traveled by the Portuguese Frigate and shows the Portuguese capacity towards innovation. Which may have been a factor for the continuity of the Portuguese presence in India.

KEYWORDS: Naval Construction, Frigate, Nautical Archaeology
INTRODUÇÃO

A Fragata portuguesa Santo António de Tanná, construída na Índia e perdida no Quénia, é por enquanto o único vestígio arqueológico desta embarcação. Para compreendermos a evolução deste tipo de navio é necessário enquadrar o contexto histórico português, entre os séculos XVI e XVII, analisando sucintamente as influências exteriores, sobretudo a rede comercial e o desenvolvimento da Marinha de Guerra. Destacaremos os acontecimentos que precederam a construção da Fragata Santo António de Tanná e o aparecimento de diversas rivalidades europeias nos mares da Índia. Importa, por fim, perceber como esse contexto influenciou uma construção naval cuja tradição remota pelo menos ao século XVI.

Este sítio arqueológico levanta certas questões, num estudo académico mais abrangente que os navios da expansão portuguesa e aponta para certas soluções técnicas que determinam uma proposta classificativa inicial como uma fragata-mercante.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)