A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





As duas guerras mundiais são o pano de fundo que envolvem as discussões do dossiê da 17a edição da Revista Navigator. A Primeira e a Segunda Guerra Mundial representam dois grandes pontos de inflexão no mesmo século, pois marcaram profundas transformações em diferentes sentidos nas diversas sociedades do novecentos.

Esses conflitos, a despeito de exaustivamente estudados, ainda reservam muitas lacunas pouco aproximadas pela historiografia. Com o dossiê desta edição, intitulado “O Brasil nas Grandes Guerras do século XX”, propõe-se um debate acerca da participação do Brasil nos maiores eventos bélicos da história. Para além das temáticas militares – bastante privilegiadas pela historiografia militar e política –, os olhares enfocaram no impacto dessas tragédias nas sociedades e culturas da época, como as memórias das populações das áreas de naufrágios, as alterações no cotidiano das cidades e o jogo de poder nos discursos propagandísticos que insuflavam diferentes reações populares frente aos ataques submarinos.

Com o objetivo de manter e ampliar parcerias, estreitando os laços entre a revista e os diferentes núcleos de produção de conhecimento histórico, o dossiê foi organizado pelo Prof. Dr. Francisco Carlos Teixeira da Silva. O leitor se deparará com cinco artigos que abordam temáticas que circunscrevem um período da história de nosso país que vai da Primeira à Segunda Guerra Mundial.

Na seção Artigos, Sergio de Oliveira disserta sobre as impressões de um viajante estrangeiro, o Reverendo Metodista norte-americano Daniel Kidder, quando em viagem ao Brasil. O artigo analisa as características discursivas das literaturas de viagens, a constituição desse gênero narrativo-descritivo no século XIX, descreve os relatos de Kidder sobre suas experiências em diferentes localidades brasileiras entre 1838 e 1840 e sua pregação contra o consumo de álcool a bordo dos navios que percorriam o território do Império. Na sequência, o pesquisador português Tiago Miguel d’Oliveira nos oferece um trabalho de arqueologia náutica, analisando as características de uma fragata portuguesa do século XVII – a Fragata Santo António de Tanná afundada no Quênia, o único vestígio arqueológico deste modelo de navio encontrado até o momento –, relacionando o paradigma de construção naval português com o cenário de rivalidades marítimas dos séculos XVI e XVII. Encerrando essa seção, Isabela Dias de Albuquerque apresenta diferentes interpretações sobre as expansões escandinavas no medievo, analisa a importância da navegação para esses povos e suas técnicas e, por fim, a invasão da Inglaterra no século IX.

The Genesis of the Naval Profession de Norbert Elias finalmente chega à Navigator em forma de resenha. Carlos André Lopes da Silva debruça-se sobre a obra desse sociólogo alemão publicada em 2007 pela University College Dublin, onde analisa a formação da profissão naval na Inglaterra entre os séculos XVI e XIX.

Finalmente, acompanhando a temática do dossiê, André Gomes descreve o Histórico dos Comboios da Segunda Guerra Mundial 1939-1945, enfatizando os elementos que tornam essa fonte histórica sobre a participação brasileira na Campanha do Atlântico imprescindível para os estudiosos deste tema.

Ampliar o espaço dialógico é um dos grandes objetivos da Navigator. Nessa perspectiva, a revista foi novamente enriquecida com trabalhos de pesquisadores de diferentes núcleos de produção de conhecimento histórico, resultando, então, numa edição cujo dossiê é formado por trabalhos originais e os demais artigos apresentam multifacetadas temáticas que contribuem para a ampliação da historiografia militar e naval. Boa leitura!

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