A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Lorde Cochrane, o turbulento Marquês do Maranhão

Vasco Mariz
Embaixador, Sócio Emérito do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Sócio Correspondente da Real Academia de la Historia, da Espanha; da Academia de História da Argentina; e da Academia Portuguesa de História. É autor de diversos trabalhos, entre eles: Villegagnon e a França Antártica (com Lucien Provençal, 2000; edição francesa de 2002); La Ravardière e a França Equinocial (2007); A música no Rio de Janeiro no tempo de D. João VI (2008); Temas da política internacional (2008).


RESUMO
Lorde Cochrane foi um almirante escocês que se distinguiu nas lutas navais das guerras napoleônicas. Foi contratado pelos patriotas chilenos e peruanos para combater a Espanha nas guerras da independência. D. Pedro I contratou-o para organizar a Marinha de Guerra brasileira e submeter as rebeliões nas províncias de Bahia, Pernambuco, Maranhão e Pará. Cochrane não se julgou bem pago e saqueou o tesouro do Maranhão. D.Pedro I antes o havia feito marquês do Maranhão, título que figura com destaque no seu túmulo na abadia de Westminster, em Londres.

PALAVRAS-CHAVE: História do Brasil; Pedro I; Marinha de Guerra do Brasil

ABSTRACT
Lord Cochrane was a Scottish admiral who became famous for his actions during the napoleonic wars. He was later contracted by Chilean and Peruvian patriots to help fight Spain in their independence wars. D. Pedro I hired his services to organize the Brazilian War Navy, and he was very effective in fighting the rebellions in Bahia, Maranhão and Pará. Cochrane later stole all Maranhão’s treasury, considering himself not well paid for his services. Cochrane was made Marquis of Maranhão, a title highlighted in his tomb at Westminster Abbey in London.

KEYWORDS:History of Brazil; Pedro I; Brazilian war navy

Recentemente, conversando com nossa colega Mary del Priore, ela instou-me a investigar melhor a passagem de Lorde Cochrane pelo Brasil, e a minha primeira providência foi perguntar a quatro ilustres almirantes brasileiros se eles realmente consideram Cochrane como o fundador da marinha de guerra brasileira. Os Almirantes Max Justo Guedes, Senna Bittencourt e Helio Leoncio Martins não concordaram com essa afirmação, mas Henrique Aché Pilar aceitou aquele rótulo. A verdade é apenas que ele foi o “primeiro“ almirante de nossa esquadra e teve papel importante na pacificação das províncias de Norte e Nordeste, sobretudo na Bahia, que teimavam em manter laços diretos com Portugal depois da Independência.

Sem exagero, Thomas Cochrane foi um personagem realmente extraordinário. Marinheiro competente e impetuoso, realizou feitos incríveis na mocidade que eletrizaram a opinião pública britânica, mas que, ao mesmo tempo, desagradaram ao alto comando naval, irritado com sua rebeldia e ânsia de publicidade. O período mais interessante e mais agitado de sua vida foi durante a era napoleônica, durante a qual, no comando de pequenos navios, realizou proezas notáveis e causou danos enormes às Marinhas da França e da Espanha.

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