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As frotas de socorro para a Colônia do Sacramento, 1736-1737

Paulo César Possamai
Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo e Professor Adjunto da Universidade Federal de Pelotas. É autor de diversos trabalhos, dos quais se destaca o livro A Vida Quotidiana na Colónia do Sacramento, publicado em Lisboa, pela editora Livros do Brasil.

Rodrigo Salaberry dos Santos
Licenciado em História pela UFPEL, e-mail: rodrigosalaberry@hotmail.com


RESUMO
A Colônia do Sacramento resistiu a um sítio que se prolongou de outubro de 1735 a setembro de 1737 graças à atuação da frota portuguesa, que mobilizou tropas do Brasil e de Portugal. Neste artigo estudaremos alguns aspectos da atuação da frota de socorro a Sacramento no Rio da Prata, como os objetivos propostos e as ações realizadas, assim como apontaremos as dificuldades em concretizar as instruções recebidas.

PALAVRAS-CHAVE: guerra, frota, Rio da Prata

ABSTRACT
Colonia do Sacramento withstood to a siege which lasted from October 1735 to September 1737 due to the action of the Portuguese fleet, which mobilized troops from Brazil and Portugal. In this paper we will study some aspects of the fleet operations to rescue Sacramento in the River Plate, as the proposed objectives and actions taken, as well as point out the difficulties to implement the instructions received.

KEYWORDS:war, fleet, River Plate

Fundada em 1680, atacada e destruída no mesmo ano; reconstruída em 1682 e abandonada ao inimigo em 1705, a Colônia do Sacramento foi novamente reconstruída em 1716. Em 1735, o Alferes Silvestre Ferreira da Silva escrevia que Sacramento tinha 327 casas, térreas na sua maioria, distribuídas ao longo de 18 ruas, 16 travessas e quatro praças. O mesmo calculou a população em 2.600 pessoas, entre as quais estavam incluídos os efetivos da guarnição. No interior da fortaleza, situavam-se a igreja paroquial, a casa do governador, o hospital, a residência dos franciscanos, a casa da artilharia, os quartéis e o corpo da guarda principal.


A prosperidade dos habitantes da Colônia do Sacramento preocupava a coroa espanhola, lesada pelo intenso contrabando, enquanto os colonos espanhóis e os índios das missões conviviam a contragosto com a concorrência portuguesa na exploração do gado selvagem. A tensão permanente, alimentada pelos frequentes conflitos com os espanhóis e indígenas na campanha, chegaria ao auge em outubro de 1735, quando as tropas castelhanas apareceram em frente aos muros da Colônia do Sacramento, iniciando um sítio que duraria dois longos anos até que a paz voltasse às margens do Rio da Prata, em setembro de 1737.

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