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O poder de mando dos cobradores dos quintos na capitania de Minas Gerais: atuação militar, delimitação do território e controle da população

Simone Cristina de Faria
É mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com dissertação intitulada “Os ‘homens do ouro’: perfil, atuação e redes dos Cobradores dos Quintos Reais em Mariana Setecentista” e, atualmente, doutoranda pela mesma universidade.


RESUMO
Este artigo tem por objetivo apresentar algumas reflexões sobre o expressivo poder de mando dos cobradores dos quintos reais em Minas Gerais no século XVIII, homens tidos entre os “principais” de suas vilas. A atenção se concentra principalmente na constatação da decisiva atuação militar desses indivíduos em sua sociedade, no seu papel na delimitação do espaço recém-descoberto e no controle da população resultante de tudo isso e, essencialmente, de suas responsabilidades fiscais.

PALAVRAS-CHAVE: atuação militar, poder de mando, território

ABSTRACT
This article has as objective to present some reflections on the expressive power of command of the royal fifths collectors in the eighteenth century in Mariana, men taken from the “principals” of their villages. The attention has been focused mainly on the finding of decisive military actions of theses individuals in their society, on their role in defining the newly discovered space and the control population as a result of all this and, essentially, their tax liabilities.

KEYWORDS: military actions, power of control, territory

O princípio da ocupação portuguesa do território que hoje conhecemos por Minas Gerais foi marcado por uma intensa busca pelo ouro, a primeira grande corrida migratória desde o descobrimento e/ou achamento das terras brasileiras. Tal fenômeno foi comprovadamente sem precedentes e gerou uma situação de “fronteira aberta” nas primeiras décadas do século XVIII na famosa região das Minas do Ouro, além de afastar um sentimento de frustração da coroa portuguesa com a falta inicial de metais preciosos nas terras que adentravam no Ultramar.

Este artigo busca refletir as questões inerentes à organização social das Minas nesse período, tendo como foco principal de análise o poder de mando de alguns indivíduos dos mais influentes de suas localidades, os cobradores dos reais quintos.1 Procuraremos acentuar como tal poder de mando desses homens encontrava-se intrinsecamente ligado à decisiva atuação militar que detinham, à função de delimitação de território que acabaram desempenhando, e ao controle da população daí resultante. Obviamente todos esses componentes também se relacionavam com o papel direto que as responsabilidades fiscais lhes exigiam.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)