A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.







A tomada do Rio de Janeiro pelos franceses em 1711

René Chartrand
Curador Senior do Canada’s National Historic Sites por quase três décadas é hoje escritor free-lancer e consultor histórico.
É autor de muitos livros publicados na Inglaterra e na América do Norte.

Tradução: Adriana de Matos Peixoto Rogerio
Revisão: Luiz Astorga


RESUMO
Este trabalho narra os esforços militares da coroa francesa em 1710 e 1711, que em duas campanhas navais tentou obter controle daquela que, 300 anos atrás, era a maior colônia lusitana do mundo: o Brasil. Neste artigo leva-se em conta a influência da peculiar geografia da Cidade do Rio de Janeiro, tanto nos planos franceses de tomada quanto nos recursos portugueses para a defesa do seu território.

PALAVRAS-CHAVE: campanhas navais francesas no Rio de Janeiro, Jean-François Duclerc, Duguay-Trouin

ABSTRACT
This work describes the French crown military efforts (through two naval campaigns in 1710 and 1711) to obtain control of Brazil - the biggest Portuguese colony 300 years ago. This paper also tells of the influence of Rio de Janeiro’s peculiar geography, regarded both in French plans of taking over and in Portuguese defense resources.

KEYWORDS: French naval campaigns in Rio de Janeiro, Jean-François Duclerc, Duguay-Trouin

Rio: o novo El Dorado

Há três séculos, o Brasil era uma colônia portuguesa, e já o mais importante domínio lusitano no mundo: sua população contava em torno de 300 mil almas. Um pouco esquecido pelas outras potências europeias, Portugal se torna, após o século XVI, um Império colonial na Ásia (Goa na Índia, Macau na China e Timor), na África (Moçambique, Angola e as Ilhas de Cabo Verde) e, na América, o Brasil. Após as primeiras e difíceis rivalidades com os holandeses, que são finalmente expulsos do País no século XVII, o Brasil inicia uma expansão considerável, graças à descoberta de metais preciosos. A cada ano, o ouro e os diamantes provenientes das minas são enviados ao Rio de Janeiro, a cidade mais importante do Brasil, que contabiliza quase 12 mil habitantes. Os tesouros são então embarcados numa Esquadra destinada a Lisboa. No início do século seguinte, os comboios destinados a Portugal já despertavam a cobiça. A cidade do Rio de Janeiro figurava, no imaginário de muitos europeus, como um novo El Dorado, com ruas revestidas de ouro!

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