A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Brasil Lindeiro: o Sul (1479-1750)

Luiz Edmundo Tavares
É Professor do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e membro de corpo editorial daDiaLogos – Revista dos alunos de pós-graduação em História da UERJ. Autor de diversos trabalhos, tem experiência na área de História, com ênfase em História do Brasil.


RESUMO
Este artigo tem por propósito discutir a constituição das fronteiras meridionais do Brasil, desde 1479, ano em que foi assinado o Tratado de Alcaçovas – Toledo, até 1750, ano do Tratado de Madri. Demonstra-se como a região do Rio da Prata tornou-se foco das primeiras disputas envolvendo os súditos das duas potências ibéricas que, na América, se prolongaram através dos séculos e, a partir daí, surgiu, sem dúvida, uma História Ibérica no Brasil e não apenas lusitana como é suposto à primeira vista.

PALAVRAS-CHAVE: Fronteiras meridionais do Brasil, Rio da Prata, diplomacia ibérico

ABSTRACT
Abstract: This work aims to discuss the constitution of the Brazilian southern frontiers, during the period ranging from the signing of the Treaty of Alcaçovas-Toledos (1479) to that of the Treaty of Madrid (1750). It will be explained how the region of the Prata river became the object of the first quarrels in America among subjects of both Iberian countries, and how centuries of continuous conflicts caused to emerge an Iberian history in Brazil, a country that at first sight would have an exclusively Portuguese one.

KEYWORDS: Brazilian southern frontiers, Prata river, iberian diplomacy

A gente que ocupou o Brasil Meridional durante o período da colônia, independente da nacionalidade – espanhola ou portuguesa – construiu uma região singular. Brasil de todos, múltiplo, Brasil...

Luiz Edmundo Tavares

Assinalamos o ano de 1479 para iniciar a discussão sobre a busca do entendimento da constituição das fronteiras meridionais do Brasil. Nesse ano foi assinado o Tratado de Alcáçovas-Toledo através do qual Portugal acreditava ter todas as terras firmes e ilhas, descobertas ou por se descobrir, desde que não estivessem sob domínio de príncipes cristãos, ao sul de um paralelo traçado à altura das Canárias. Os espanhóis, entretanto, consideravam que caberiam aos lusitanos as regiões junto ao litoral africano – contra Guinéa. As divergências acerca da questão se iniciaram quando Cristóvão Colombo retornou da sua primeira viagem à América e, em Portugal, entrevistou-se com D. João II, rei de Portugal. O soberano, então, afirmou que as terras onde Colombo tinha chegado eram suas, de acordo com o Tratado de Toledo, gerando singular querela que acompanhou os Reinos ibéricos até a assinatura do Tratado de Tordesilhas, em 7 de junho de 1494.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)o PDF)