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A disputa ibérica pelo domínio do Rio Paraguai na segunda metade do século XVIII e a sua representação cartográfica

Mário Clemente Ferreira
Doutorando em História na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. É assistente de investigação no Centro de História de Além-Mar, da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade dos Açores.


RESUMO
A ocupação colonial do vale do Rio Paraguai aconteceu sobretudo na segunda metade do século XVIII. Para além de procurar identificar as razões para uma tão tardia ocupação colonial, esta comunicação pretende sobretudo analisar o modo como decorreu esse processo, nomeadamente a disputa entre as duas coroas ibéricas pelo domínio desse território e a produção cartográfica portuguesa e espanhola daí resultante.

PALAVRAS-CHAVE:Colonização portuguesa; Rio Paraguai; ocupação; século XVIII

ABSTRACT
The colonial occupation of the Paraguay River valley was mainly in the second half of the eighteenth century. In addition to seeking to identify the reasons for such a late colonial occupation, this communication intends primarily to examine how this process has developed, including the dispute between the two Iberian crowns for dominance of territory and Portuguese and Spanish cartographic production.

KEYWORDS: Portuguese colonization, the Paraguay River; occupation; eighteenth century

As autoridades castelhanas do Paraguai tiveram conhecimento em 1723 do avanço da frente da colonização portuguesa até Cuiabá. Por isso, o Governador do Paraguai, José de Antequera y Castro, ordenou a exploração dos campos de “Gerez”. Tratava-se da região onde em 1593 Rui Dias de Guzmán havia fundado a Vila de Santiago de Xerez, na região do Itatim, abandonada após ataques de paulistas em 1632. Dessa expedição, e de uma outra realizada ainda em 1723, aquele governador obteve informações relativas ao caminho das monções, ao povoamento de Cuiabá e à existência de vestígios de estabelecimentos temporários de portugueses acima dos Rios Jejuí-Guaçú e Amambai. A partir de então foi intensificado o processo de recolha de informações. Mas foi o novo Governador do Paraguai, Martin de Barua, quem ordenou em 1726 uma nova expedição para as “parajes de Jeres”, rumo aos Rios Iguatemi e Amambaí e às campanhas acima deste último rio.

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