A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





O espaço cartográfico enquanto escrita do poder

Thiago Alves Dias
Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte no Programa de Pós-Graduação em História e Espaços.


RESUMO
No ano de 1766, o Governador de Pernambuco, Luiz Diogo Lobo da Silva, ofereceu de presente ao Secretário de Estado da Marinha e Negócios Ultramarinos, Francisco Xavier de Mendonça Furtado uma carta topográfica contendo representações espaciais das novas vilas criadas na Capitania de Pernambuco e suas anexas durante seu governo. Os objetivos de produção dessa carta eram representar o espaço colonial transformado pelas imposições régias, através de uma paisagem subjetiva, para demonstrar a altivez do Império português e os feitos maravilhosos de seus súditos. Sendo assim, partindo de um recorte topográfico realizado nesse mapa – a Capitania do Rio Grande do Norte –, analisaremos o momento de produção desse mapa, a representação visual acerca das novas vilas fundadas e a relação entre seus idealizadores e o processo colonizador português.

PALAVRAS-CHAVE: espaço cartográfico, representação, poder

ABSTRACT
In the year 1766, the governor of Pernambuco, Luiz Diogo Lobo da Silva, has offered a gift to the State Secretary of the Navy and Overseas Affairs, Francisco Xavier de Mendonça Furtado satisfaction a topographic spatial representations of the new towns created in the province of Pernambuco and its attached during his administration. The production goals of this letter represent the colonial space were transformed by the royal taxes, through a subjective landscape, to demonstrate the pride of the Portuguese Empire and the marvelous deeds of his subjects. Thus, from a cut made ​​in this topographic map – the Captaincy of Rio Grande do Norte – time to analyze the production of this map, the visual representation of the new villages founded on the relationship between its creators and Portuguese colonization process.

KEYWORDS: space mapping, representation, power

A propensão centrífica, a que os Geômetras atribuem a conservação da máquina do Mundo; confessando que da sua virtude está pendente a união deste grande Composto; foi a razão mais forte que me persuadiu a que esta Carta Topográfica, em que descrevi as Terras Meridionais deste Novo Mundo, tenha a sua natural inclinação dirigindo-a V. Exa em cuja a Ilustríssima Pessoa depositou a experiência a compreensão de toda a América portuguesa.


A epígrafe acima está escrita na carta topográfica em que nos deteremos durante as próximas páginas. A “Carta topográfica aonde se compreendem as Capitanias de que se compõem ao presente o Governo de Pernambuco”, foi pintada, provavelmente, entre 1763 e 1766 por José Gonçalvez da Fonseca e topógrafos militares, a mando do então Governador de Pernambuco, Luís Diogo Lobo da Silva, sendo um presente para o irmão do Marquês de Pombal, o Secretário de Estado da Marinha e Negócios Ultramarinos, Francisco Xavier de Mendonça Furtado.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)