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Em busca das origens: as interpretações da Revolução de Maio nas narrativas dos rio-platenses

Suellen Mayara Péres de Oliveira
Graduada em História pela Universidade Federal de Ouro Preto. Mestre e doutoranda em História Social pelo Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde desenvolve pesquisa sobre o exílio dos letrados rio-platenses no Brasil entre os anos de 1829 e 1852


RESUMO
O artigo aborda como a Revolução de Maio foi construída como mito de origem nas narrativas dos rio-platenses. Destaca a trajetória do letrado Florencio Varela e as fontes históricas que ele elegeu a fim de construir a história da região do Prata. Sobretudo, investigam-se como as representações do passado atenderam as demandas do presente e aos desejos de futuro.

PALAVRAS-CHAVE: Historiografia, região do Prata e independência

ABSTRACT
The article discusses how Revolution of May was built as origin myth in the narratives of the Rio de la Plata. Highlights the career of Florencio Varela literate and historical sources that he has chosen to build the history of the Plata region. Especially, we investigate whether such representations of the past met the present demands and desires for the future.

KEYWORDS: Historiography, the Plata region and independence

INTRODUÇÃO

A história escrita para dar forma ao corpo de uma pátria faz parte do tempo presente dos historiadores, visto que as disputas pelo passado procedem das lutas políticas que definem o clima histórico de uma época. Esse ambiente de divergências esteve muito explícito na formação das ditas histórias nacionais, as quais ligeiramente podem ser resumidas como narrativas que tinham por objetivo forjar a especificidade dos novos estados a partir de um território e um povo.

Dessa busca por uma nova origem emergiu o problema advindo das guerras e conflitos em virtude da definição das fronteiras do Império do Brasil com as Repúblicas do Prata, quer seja porque as guerras transformavam os territórios em disputa, quer pelos projetos políticos que reclamavam os antigos territórios coloniais e os interesses das elites da fronteira. Então como os letrados do Brasil e da região do Prata iriam escrever a história de um território em disputa? Quais representações do passado favoreciam os projetos políticos do Império e das Repúblicas? O limite dessas perguntas retoma algumas das linhas do processo histórico associado à escrita das histórias nacionais em tempos de guerra.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)