A Revista NAVIGATOR é dirigida a professores, pesquisadores e alunos de História e tem como propósito promover e incentivar o debate e a pesquisa sobre temas de História Marítima no meio acadêmico.





Os conflitos do ilícito comércio e a Marinha brasileira

Gustavo Pinto de Sousa
Mestrando em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista Capes. Pesquisador Associado do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais – LEDDES/UERJ.


RESUMO
O presente artigo tem como objetivo discutir os conflitos do ilícito comércio e a Marinha brasileira, entre os anos de 1831 e 1850. O fio condutor dessa trama é a aprovação da Lei de 7 de novembro de 1831 e os desdobramentos da política escravista em relação ao comércio atlântico. Os navios negreiros aprendidos, os africanos livres e o processo de nacionalidade aparecem como elementos importantes para a compreensão do quadro político, social e econômico, no que tange às peripécias do complexo sistema escravista. Por fim, o “infame comércio”, apreciado nesse trabalho, busca estudar as redes de poder que a escravidão suscitou dentro da política imperial.

PALAVRAS-CHAVE: ilícito comércio, escravidão e Marinha

ABSTRACT
This article aims to discuss the conflicts of the illicit trade and the Brazilian Marine, between the years 1831 to 1850. The thrust of this plot is the approval of the law of 07 november 1831 and the unfolding of policy in relation to the slave trade Atlantic. Learned slave ships, Africans are free and the process of nationality appears as important for the understanding of the political, social and economic, in terms the vicissitudes of the complex system of slavery. Finally, the “infamous trade” enjoyed this work, explores the networks of power that slavery has raised in the imperial policy.

KEYWORDS: illicit trade, slavery and Marine

Nós então nos alinhamos ao lado dele e olhos ávidos examinavam cada pedaço do bergantim. Figuras negras e nuas passavam pelo convés removendo qualquer sombra de dúvida que pudéssemos ter quanto ao gênero da embarcação e mostrava que ela estava com sua carga humana a bordo. O escaler tendo sido içado, um oficial foi enviado para tomar posse enquanto a bandeira britânica substituía a brasileira.
Pascoe Grenfell Hill

Ao examinar os conflitos do ilícito comércio e sua relação com a Marinha brasileira, nada melhor do que narrar o cotidiano da apreensão de um tumbeiro. O frei Pascoe Grenfell Hill descreve a captura do Navio negreiro Cleópatra nas águas do Atlântico. Sua estadia a bordo do navio por 50 dias é um exame da situação desgastante que a vida nos mares suscitava aos marinheiros e às almas de cor. Em relação ao cotidiano de um tumbeiro, Gilson Rambelli argumenta que “passar privações como sede, fome e desconforto não eram características apenas dos transportados como mercadorias, muitos tripulantes, e também passageiros, enfrentavam esses desafios"

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)DF)