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O conselho naval no oitocentos: propostas para o estudo da relação entre civis e militares no Império

Renato Jorge Paranhos Restier Junior
Historiador e mestrando em História Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Primeiro-Tenente do Quadro Técnico Temporário da Marinha, Encarregado da Divisão de Pesquisas Históricas da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Sócio Honorário do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil – IGHMB – e pesquisador associado do Laboratório de Estudos das Diferenças e Desigualdades Sociais – LEDDES/UERJ.


RESUMO
O presente ensaio tem como objetivo propor algumas reflexões a respeito das possibilidades de estudo sobre os militares e as instituições militares a partir da história social. Utilizando-nos do Conselho Naval, órgão consultivo criado na estrutura organizacional da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha no Segundo Reinado, propomos o estudo da relação entre civis e militares a partir da inserção dos primeiros no meio militar. Além do grande desconhecimento sobre o papel desta instituição para o Ministério da Marinha e para o Estado Imperial de uma maneira geral, não se conhece o papel do Conselho Naval entre as instituições da monarquia por onde circularam as elites do Império, visto que, desde seu início, a instituição em questão foi ocupada por grandes personalidades como o Visconde do Rio Branco e Zacarias de Góes e Vasconcellos.

PALAVRAS-CHAVE: Império do Brasil, Marinha, Conselho Naval

ABSTRACT
This essay aims to propose some reflections about the possibilities of study on the military and military institutions from the social history. Using the Naval Council, an advisory body created in the organizational structure of the Secretariat of State for the Navy in the Second Empire, we propose the study of the relationship between civilians and military from the first insertion of the military. In addition to widespread ignorance about the role of this institution to the Navy Ministry and the Imperial State in general, does not know the role of the Naval Council of monarchy among the institutions through which circulated the elites of the Empire, because, since its Initially, the institution in question was occupied by great personalities such as the Viscount of Rio Branco and Zacarias de Goes e Vasconcelos.

KEYWORDS: Empire of Brazil, Navy, Naval Council

INTRODUÇÃO: O ETERNO DEVIR HISTORIOGRÁFICO

A ciência histórica, como os demais campos do conhecimento científico (incluindo mesmo as ditas exatas ou naturais), passou por um conjunto de transformações na primeira metade do século XX, permitindo novas abordagens e, consequentemente, a ampliação do conhecimento histórico. É claro que nem todos os países passaram por “revoluções historiográficas”, como podem se enganar alguns pesquisadores ao ler Peter Burke em seu estudo sobre a historiografia francesa com os Annales.

Contudo, de maneira geral, o devir historiográfico é perfeitamente compreensível visto que os fatos históricos nunca se repetem, principalmente porque os atores morrem enquanto outros nascem, numa eterna renovação de gerações que herdam subsídios culturais da geração anterior e, muitas vezes, as transformam. Ao mesmo tempo, os historiadores, como os demais cientistas, tratam, a partir de diferentes abordagens, os objetos históricos, numa constante atualização do conhecimento. Isto é perfeitamente compreensível na medida em que entendemos que os historiadores estão sujeitos às demandas sociais de sua época, ao passo que, concomitantemente, atuam sobre o universo social em que estão inseridos.

(Veja o artigo na íntegra na versão PDF)DF)