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Campanha da Guiana Francesa: Caiena tomada aos franceses

Cláudio Skôra Rosty
Assessor e gestor cultural da DPHCEx e 1º Diretor Secretário do IGHMB.


RESUMO
O presente trabalho pretende mostrar os reflexos das campanhas napoleônicas na América portuguesa. O Príncipe Regente de Portugal Dom João, forçado a abandonar a terra natal, em função da sua invasão por tropas francesas, como represália declarou guerra a França e empreendeu uma campanha militar na região Norte do Brasil, com a finalidade de negar uma base francesa na América e estender a posse do território português no Brasil até o Rio Oiapoque.

PALAVRAS-CHAVE: Guiana Francesa, Caiena, Oiapoque e Reflexos das Campanhas Napoleônicas no Brasil

ABSTRACT
This study demonstrates the impact of the Napoleonic campaigns in South America. The Prince of Portugal D. João was forced to abandon his home land due to the French troops’ invasion and declared war against France.He began a military campaign in the northern region of Brazil with the intention to impair a French influence in America and to extend the Portuguese territory domain until the Oiapoque River.

KEYWORDS: French Guiana, Cayenne, Oiapoq and Consequences of the Napoleonic Campaigns in Brazil

INTRODUÇÃO
Antecedentes

A Região das Guianas era constantemente disputada por ingleses, holandeses e franceses.

Com a União Ibérica (1580 – 1640) a defesa dos domínios espanhóis na parte Norte do continente sul-americano ficou a cargo dos portugueses, que se fixaram ao longo do Rio Amazonas. Com o fim da união entre as duas coroas, a América portuguesa viu-se além dos limites de Tordesilhas. Foi, neste período, que se formou o núcleo original da primeira colônia gaulesa às margens do Rio Sinamari, e em 1634 foi transferida para Caiena.

Diante dos choques de interesses, Portugal e França optaram por uma negociação em 1652 e estabeleceram um tratado provisório assinado em 4 de março de 1700. Porém, o limite no Rio Oiapoque só foi definido pelo Tratado de Utrecht, de 11 de abril de 1713.

Após a chegada do Príncipe Regente ao poder, várias foram as tentativas de acordo sem sucesso, como o de Paris de 1797, que não foi ratificado por Portugal pelo fato de ir contra os seus interesses, e o de Amiens, de 1802, que excluiu o país ibérico das negociações, logo o não reconhecimento do tratado.

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